Uma vida de doação e talento para ajudar

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(Por Ingrid Vogl)

Com passos curtos e rápidos, Liddy Jurgensen ligeiramente entra na sala e se senta para nossa conversa. À medida em que começa a contar sua história, é possível perceber como sua vida, no alto de seus 90 anos, se funde ao Instituto Popular Humberto de Campos (IPHC), unidade do Centro Espírita Allan Kardec (CEAK), que completa 80 anos em 2018.

Com a mesma agilidade com que anda por todo o Instituto diariamente e que lhe dá a fama de ter rodinhas nos pés, dona Liddy, como é conhecida, lembra de como começou a frequentar a instituição, onde se tornou voluntária há 71 anos e atua até hoje.

Dona Liddy está no IPHC desde 1947 e ingressou na entidade para fazer oficinas de corte e costura e datilografia. Logo estava ajudando na biblioteca, onde até hoje cuida pessoalmente de uma parte valiosa do acervo antigo, composto por exemplares de primeiras edições de clássicos infanto-juvenis.

Em 1952, a convite de Gustavo Marcondes, fundador da instituição, Dona Liddy passou a ser funcionária da secretaria, onde trabalhou até 1983, quando se aposentou e continuou como voluntária, atuando até hoje. O gosto e a vontade de ajudar são de família, já que os pais e quatro irmãs Jurgensen também realizam trabalho voluntário na Instituição. A irmã mais velha, Daisy – falecida há três anos-  chegou a ser presidente da instituição. Vera trabalha voluntariamente na cantina e Vilma é responsável pela seleção de roupas para o bazar.

Incansável, Dona Liddy está de segunda a segunda no IPHC. Até pouco tempo, ela chegava às 7h e costumava ficar até 21h ou 22h. Hoje, sua rotina começa por volta das 10h30 e se estende até 17h. Nesse período, a voluntária mais antiga do CEAK costuma fazer um pouco de tudo, principalmente trabalhos relacionados ao setor administrativo e de contabilidade, onde conhece como ninguém todos os processos e trâmites da instituição.

“A gente vê na Dona Liddy a continuidade do trabalho que sustenta o Instituto. Ela trabalhou com todos os presidentes que já passaram por aqui e é referência dos novos funcionários para que conheçam os processos da entidade. Dona Liddy também é um porto de sabedoria e esta é uma característica marcante em sua personalidade: sempre que alguém precisa de algum conselho ou orientação, ela nos tranquiliza e assim, conseguimos tomar decisões mais assertivas”, disse Elisabeth Casotti, gerente de educação e assistência social do IPHC.

Alegria garantida

Quer ver um sorriso estampado no rosto de Dona Liddy? É só perguntar sobre sua relação com as crianças do Instituto. “Elas são uma gracinha”, diz a voluntária, que quando passa pelos corredores do Instituto sempre recebe abraços carinhosos dos pequenos.

A paixão da voluntária é mesmo o trabalho com as crianças, e nisso, Dona Liddy tem um papel importante. Em 1970 ela foi a responsável pela criação do Lar Escola que já funcionava na instituição desde 1938, mas que passou a atender em período integral as crianças da educação infantil. Assim, pode colaborar de maneira decisiva com a erradicação do trabalho infantil.

“Eu ia até o Jardim Proença, onde na época moravam as lavadeiras cujos filhos ajudavam no trabalho. Meu trabalho era convencer as mães a deixar as crianças o dia todo participando das atividades do Instituto”, lembrou.

Para Dona Liddy sua atuação como voluntária no Instituto é tão natural que ela nem acha que fez tanto nessas sete décadas dedicando tempo e talento ao trabalho social da entidade. “Gosto de fazer pelas crianças, e sempre tive vontade de ajudar no que fosse preciso, porque era recompensador e sempre valeu a pena. Em todo esse tempo, aprendi muito com a experiência de vida e de voluntariado e sinto saudades de vários momentos desse percurso. Mas sinto que poderia ter feito muito mais”, disse em sua humildade, a incansável Dona Liddy.

Reconhecimento

Para Julieta Cova Checchia, 77 anos, que desde os 9 anos de idade frequenta o CEAK e desenvolve trabalho voluntário, tendo passado pela presidência entre 1988 e 1992, o jeito simples de Dona Liddy falar de sua atuação na entidade demonstra o desinteresse que ela tem para si e o interesse para o próximo, sempre com um espírito colaborativo.

“Como Gustavo Marcondes costumava definir, Dona Liddy é como a Viola odorata, uma espécie muito perfumada, cujas flores roxas geralmente ficam escondidas pela folhagem. Ela faz a diferença no ambiente com discrição”, contou.

Julieta lembra que quando começou ainda criança no IPHC, Dona Liddy já era jovem, e as duas juntas têm lembranças de participação em campanhas que tinham como propósito arrecadar dinheiro para a instituição. Toda essa dedicação acabou sendo multiplicada, já que logo que casou, o marido também passou a atuar como voluntário e foi tesoureiro do CEAK durante 30 anos.

“Muitos voluntários trabalham com vontade e paixão, e isso faz com que eles fiquem muito tempo na instituição. Minha vida toda fui voluntária, entrei para aprender algo e acabei retribuindo com disposição e tempo, e acho que não podemos parar. Aprendi a ser muito grata, porque tive muitos mestres aqui que foram exemplo de virtudes e dedicação. O voluntariado é uma grande escola”, definiu.

Atualmente, o IPHC possui 80 voluntários e 52 funcionários. “Alguns dos voluntários que estão conosco já foram atendidos pela instituição. É uma gratidão enorme ter esse trabalho do bem multiplicado, e também ver que nosso empenho fez sentido para a vida de muitas pessoas que já passaram por aqui”, disse Elisabeth.

Para Marcela Doni, líder do Programa Cidadania Ativa da FEAC, os momentos de convivência, troca, afeto e amizade, que são vivenciados por meio do trabalho voluntário, proporcionam satisfação e sensação de felicidade. Não é apenas fazer o bem, é um processo de apoio e resultado coletivo.

“Através do trabalho voluntário, descobrimos mais sobre a natureza humana e, consequentemente, a respeito de nós mesmos, já que é um instrumento poderoso de construção de nossa felicidade pessoal e social. É via de mão dupla, onde quem ajuda é ajudado. O voluntariado possibilita uma rica rede de contatos, torna as pessoas mais flexíveis no trato com outras e as faz desenvolver a habilidade de ouvir e de buscar resultados compartilhados”, avaliou Marcela.

A Fundação FEAC promove o Programa Cidadania Ativa que reúne uma carteira de projetos diversos que podem inspirar pessoas físicas e jurídicas a se tornarem agentes de mudança incentivando a cultura de participação e de corresponsabilidade pelo bem-estar social e estimulando a atuação coletiva e colaborativa. Mais informações podem ser obtidas por meio do telefone (19) 3794 3544 ou cidadaniaativa@feac.org.br

 CEAK

O CEAK – que tem como principais fontes de receitas os bazares, a panificadora Bambini e uma editora de livros espíritas – é mantenedor de cinco departamentos: Instituto Popular Humberto de Campos; Educandário Eurípedes; Creche Mãe Luísa; Creche Gustavo Marcondes; Centro de Apoio à Vida e Núcleo Alvorada de Cristo.

O IPHC recebe apoio institucional no âmbito do Programa Primeira Infância em Foco (PIF) da Fundação FEAC e atende 90 crianças entre 3 e 5 anos em período integral na escola de educação infantil.

Outras 140 crianças de 6 a 10 anos são atendidas no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, como via de prevenir as situações de risco social, ampliar trocas culturais e de vivências e desenvolver o sentimento de pertencimento e de identidade. Além disso, a comunidade também tem acesso ao ambulatório médico e odontológico e a farmácia (ou dispensário de medicamentos) do próprio IPHC.

O prédio do IPHC ainda abriga a Escola Estadual Instituto Popular Humberto de Campos que atende 150 crianças dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) em quatro salas de aula nos períodos matutino e vespertino.

Mais informações: http://ceak.org.br/iphc/

Matéria veicula no site da Fundação FEAC.

Assessoria de Comunicação CEAK

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