Um Estudo Sobre Parábolas – Por que em Parábolas?

Ah, Senhor Jeová! eles dizem de mim: não é este um contador de parábolas? (20:49)

Queixa de Ezequiel, 3º dos grandes profetas, que viveu no sec.VI a.C.,na Babilônia, onde povo judeu estava em exílio.
Para orientá-los espiritualmente, recebeu, por inspiração divina,algumas parábolas.
Parábola é uma pequena história, simbólica,comparativa, alegoria sob a qual se esconde uma verdade importante e, na conclusão, apresenta um preceito moral ou regra de conduta a ser seguida em determinado caso.

Entre as parábolas contadas por Ezequiel, temos a das duas águias e videira, e a do leão engaiolado. Tinham sentido e aplicação para o povo israelita e naquela época, apenas.
Nem sempre foi bem acolhido e ironizavam seu “estilo”, a forma pela qual lhe vinham as profecias, as mensagens espirituais.
Por isso a queixa. Mas teve de continuar profetizando assim, contando parábolas, que nem sempre foram entendidas e atendidas pelos ouvintes.

A linguagem figurada era muito usual entre os israelitas, por serem orientais. Com freqüência empregavam parábolas, bem como aos enigmas e as adivinhações.
Assim, encontramos menção a parábolas em livros do Velho Testamento,como o livro de Salmos, atribuído a Davi: 49:4, inclinarei os m/ouvidos a uma parábola; decifrarei o meu enigma na harpa; 78:2, Abrirei a minha
boca numa parábola, proporei enigmas da antiguidade; e no de Provérbios, atribuído a Salomão: 1:6, (…) entender provérbios e parábolas; palavras e enigmas dos sábios.

Na atualidade, se nos referirmos a parábolas, logo pensamos nas histórias que Jesus contava.
Quando começou seu ministério, pregando às multidões, Jesus falou de muita coisa ao povo por parábolas e sem parábolas nada lhes falava.(Mt 13:34; Mc 4:33/34)

Vinícius esclarece por que (Em Torno do Mestre: “Jesus e suas parábolas):

- interessa/impressiona melhor ouvintes, pois todos gostam de histórias;

- é prático e pedagógico em assuntos transcendentes, porque supre as deficiências intelectuais de quem ouve, ao sugerir uma comparação;

- mais fácil de reter e transmitir, principalmente naquela época de tradição oral, porque o enredo auxilia a associação de idéias.

E também evitava expor Jesus aos adversários que o queriam apanhar em falta, se falava contra a lei, os sacerdotes, ou o sinédrio.

Emmanuel, através Chico Xavier, aponta ainda outra vantagem, na página “No Fenômeno Magnético”, do livro “Religião dos Espíritos: “No ensinamento, utiliza parábolas para não ferir fosse a quem fosse.”

Quantas vantagens a parábola apresenta! Mas, se não soubermos entender o significado espiritual oculto, fica reduzida à história aparente, que é comum, sem maior importância.
Não seria melhor falar logo tudo sobre as coisas espirituais com clareza e objetividade e não como por enigmas?

Foi o que discípulos perguntaram a Jesus, após a parábola do semeador (Mt 13):

- Por que lhes falas por parábolas?

- Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado.

Porque àquele que tem, se dará e terá em abundância, mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

Temos aí um favoritismo divino? Privilégio para alguns no recebimento de ensinos espirituais?

É que a revelação das coisas espirituais, semente divina, se planta com todo cuidado, sem banalizar.
Para assimilar ensino espiritual, ouvinte precisa ter em si mesmoalgumas condições fixadoras: interesse verdadeiro e puro; esforço pelo entendimento; uma base intelecto/moral sobre as coisas transcendentes.
Quem tiver isso: aquele que tem, se dará o ensino contido na parábola e terá em abundância, assimilará o significado e ficará enriquecido espiritualmente.
Quem não se interessa por saber nem se esforça para isso, é aqueleque não tem. Não oferece em si mesmo base intelecto/moral, não poderá entender o ensino. Por isso, até mesmo o que tem, o ensejo de aprendizado,
lhe será tirado, ficará perdido, inutilizado.

“Não percam! Este estudo sobre Parábolas, continua nos próximos dias.”

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