jan 12
11
Entrevista Therezinha Oliveira – São José do Rio Pardo
Therezinha como está o movimento espírita no Brasil e a nível mundial?
R: No Brasil, posso dizer que está em constante expansão das idéias doutrinárias e também em permanente e gradual aperfeiçoamento, na divulgação (palestras, jornais, livros, discos, rádio, televisão) como nas práticas (de assistência espiritual, através de passes, reuniões mediúnicas, etc., ou de assistência material aos carentes).
Em relação ao Exterior, baseio-me nas notícias veiculadas pelos órgãos de imprensa, para dizer que o aspecto também é promissor: congressos, seminários, palestras estão sendo realizados com mais freqüência em alguns países (Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Itália, etc.) e novos grupos espíritas ali vão surgindo, aumentando o número dos poucos que existiam.
Therezinha, o que significou a passagem de Chico Xavier sobre a Terra?
R: Já se está firmando entre nós o conceito de que a vida e obra de Chico Xavier constituiu “divisor de águas” no movimento espírita. Começou no lançamento do “Parnaso de Além-Túmulo”, evidenciou-se no memorável “Pinga=Fogo” (entrevista concedida em 1971 pelo Canal 4, a extinta TV Tupi), somando-se aos mais de 400 livros que psicografou (de autores variados mas com destaque para Emmanuel, Irmão X e a série André Luiz). O mais marcante, porém, foi sua atuação diária junto ao povo, exemplificando de modo excelente a correção de comportamento,da pessoal e na seara, sempre no clima da mais inalterável e caridosa fraternidade.
O que você está achando dos novos livros espíritas que estão surgindo? Quais cuidados precisamos ter?
R: Kardec já nos alertava para a necessidade de avaliação rigorosa da natureza dos espíritos e quanto à publicação de obras em nome do Espiritismo. O que for publicado como livro espírita estará divulgando idéias como se espíritas fossem, e influindo na formação da opinião pública sobre o Espiritismo. Para merecer o nome de espírita, um livro, mediúnico ou não, precisará estar perfeitamente de acordo com as diretrizes doutrinárias. De outro modo será apenas mais um livro nas livrarias e nas, restantes, sob a responsabilidade exclusiva de seus autores e daqueles que o publicam. Que os dirigentes dos grupos espíritas e cada leitor busquem o esclarecimento doutrinário para saberem fazer a distinção entre o joio e o trigo, nos numerosos títulos que estão surgindo no movimento espírita.
Você acha importante a divulgação do espiritismo través dos meios de comunicação? O que poderia ser feito para se divulgar mais?
R: Sem dúvida é muito necessário divulgar o Espiritismo e o movimento espírita, para que maior número de pessoas a conheça a doutrina e participe das atividades que os espíritas realizam.
Para divulgar mais e melhor, faz-se indispensável a colaboração dos que já são espíritas, porque divulgar custa dinheiro e esforço e requer se aproveite o concurso dos que sabem utilizar as técnicas e aparelhamento da comunicação moderna e eficiente. Mas os resultados no entendimento geral sobre a Doutrina e a atração e preparação de novos seareiros serão muito compensadores.
Therezinha, conte-nos algum caso interessante do Chico Xavier.
R: Inúmeros são os casos divertidos ou instrutivos em torno de Chico Xavier, contados por ele mesmo ou relatados por outros, como Ramiro Gama e Carlos Bacceli que os registraram em seus livros.
Acredito que muitos desses casos o Chico contou como se ele fosse a figura central mas apenas para nos transmitir algum ensinamento.
Como aquele em que Chico estava viajando num avião e houve turbulências, fazendo a aeronave balançar muito, o que assustou a todos os passageiros; e Chico também clamava: “Valha-nos Deus!”.
Foi quando Emmanuel apareceu no corredor do avião e colocando-se ao lado do Chico lhe perguntou:
Por que tanta aflição?
Chico respondeu: O avião está em perigo, podemos morrer!
Emmanuel redarguiu: Ah, o senhor acha que vai morrer? Sim, respondeu o Chico. Então, concluiu Emmanuel, morra com educação. Este episódio nos ensina que precisamos entender o fenômeno da desencarnação e nos prepararmos para ela, sem tanto estardalhaço como costumamos fazer. E o querido Chico Xavier, como vimos, desencarnou com toda a educação…
Qual o livro espírita que você mais gostou?
R: “A Esquina de Pedra”, de Wallace Leal V. Rodrigues, porque mostra como devemos permanecer fiéis à mensagem cristã, ainda que muitos ao redor a desfigurem, porque guardando-a em nossa alma ela não morrerá e a levaremos conosco aonde formos, replantando-a no solo do mundo. Esse livro me ajudou e acalmou em certa ocasião, quando me preocupava com os desvios que estava vendo acontecerem na seara espírita.
Qual o segredo para ser um bom orador e escritor?
R: Acredito que um bom divulgador espírita precisa estar convicto do que quer falar ou escrever; se é sobre Espiritismo, que o estude bastante para conhecer bem o que quer comunicar.
A técnica de exposição também lhe será necessária para que sua fala ou escrito agrade ao público que o ouve ou lê. E uma boa didática ajuda para o tema seja apresentado ao público de forma lógica e seqüente, favorecendo o entendimento.
Que palestra sua você mais gostou?
R: Aquela em que a ajuda dos bons espíritos me permitiu realizar uma boa comunicação com o público e uma transmissão correta das idéias espíritas, que a todos nos instruem, consolam e alegram.
Que conselhos você daria para alguém que quer se tornar espírita?
R: Estude para conhecer e se firmar nas idéias espíritas. Seja honesto, sincero e procure ser responsável em tudo que fizer. Comece a colaborar em alguma atividade na casa espírita ou em tarefa assistencial. Cultive a fraternidade para com todas as pessoas. E persevere sempre no bem.
Agindo assim, você contará com a assistência e proteção dos bons espíritos, alcançando grande progresso espiritual e desfrutando da bênção de ser e se sentir um espírita.