{"id":975,"date":"2018-10-16T14:35:12","date_gmt":"2018-10-16T14:35:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ceak.org.br\/cavi\/?p=975"},"modified":"2018-11-14T01:08:58","modified_gmt":"2018-11-14T01:08:58","slug":"transtornos-psiquiatricos-do-pos-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/transtornos-psiquiatricos-do-pos-parto\/","title":{"rendered":"Transtornos psiqui\u00e1tricos do p\u00f3s parto"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A maternidade \u00e9 muito aguardada e idealizada pela mulher. Este \u00e9 um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, sociais, culturais e emocionais, o que, por si s\u00f3, j\u00e1 indica sua amplitude e complexidade. \u00c9 no p\u00f3s-parto ou puerp\u00e9rio, no entanto, que tais transforma\u00e7\u00f5es se acentuam e que, por vezes, culminam para o desenvolvimento de alguns transtornos psiqui\u00e1tricos.<\/p>\n<p>A D\u00e9cima Revis\u00e3o da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as e Problemas Relacionados \u00e0 Sa\u00fade (CID-10) contempla, em seu quinto cap\u00edtulo, os transtornos mentais e comportamentais relacionados ao puerp\u00e9rio que s\u00e3o: blues ou tristeza puerperal, depress\u00e3o p\u00f3s-parto, psicose materna e transtornos ansiosas do puerp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O baby blues ou blues puerperal (blues vem do ingl\u00eas e significa tristeza) atinge cerca de 80% das m\u00e3es e surge por volta do terceiro dia do p\u00f3s-parto, per\u00edodo em que a m\u00e3e j\u00e1 recebeu alta da maternidade e est\u00e1 \u00e0 frente dos cuidados com ela pr\u00f3pria e com o rec\u00e9m-nascido. Entre os sintomas mais comuns est\u00e3o tristeza intensa com choro frequente e des\u00e2nimo, considerado uma rea\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica no puerp\u00e9rio imediato com diminui\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea dos sintomas em at\u00e9 duas semanas.<\/p>\n<p>Quando os sintomas permanecem ap\u00f3s esse per\u00edodo de duas semanas e ainda se intensificam podendo se estender por mais de um ano, pode-se dizer que se caracteriza a\u00ed um poss\u00edvel quadro de depress\u00e3o p\u00f3s-parto, transtorno ps\u00edquico que atinge de 10 a 42% das pu\u00e9rperas. Tal quadro possui importante repercuss\u00e3o na sa\u00fade materna, no v\u00ednculo m\u00e3e-filho, aleitamento materno, desenvolvimento da crian\u00e7a e rela\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>Em 1994 a Associa\u00e7\u00e3o Psiqui\u00e1trica Americana (APA) reconheceu a depress\u00e3o p\u00f3s-parto (DPP) como transtorno de humor espec\u00edfico, com in\u00edcio no primeiro m\u00eas do puerp\u00e9rio e dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima de duas semanas. Entre os principais sintomas est\u00e3o: humor deprimido, anedonia que \u00e9 a perda da capacidade de sentir qualquer tipo prazer o tempo todo, mudan\u00e7as do apetite ou peso, altera\u00e7\u00f5es do sono, agita\u00e7\u00e3o ou retardo psicomotor, fadiga, sentimento de culpa ou inutilidade, capacidade diminu\u00edda de concentra\u00e7\u00e3o, do racioc\u00ednio ou tomada de decis\u00e3o, e pensamentos recorrentes de morte.<\/p>\n<p>Se por um lado, nos quadros de depress\u00e3o os sintomas v\u00e3o se agravando lentamente, a psicose puerperal se instala bruscamente com curta dura\u00e7\u00e3o. Os sintomas envolvem comportamentos de rep\u00fadio ou superprote\u00e7\u00e3o do beb\u00ea, comprometimento do ju\u00edzo de realidade, del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es geralmente relativos \u00e0\u00a0crian\u00e7a com risco de suic\u00eddio, infantic\u00eddio e auto e\/ou heteroagress\u00e3o que \u00e9 a agress\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o destrutiva voltadas ao mundo exterior. A psicose ocorre em 0,1% a 0,2% das pu\u00e9rperas, com maior incid\u00eancia em prim\u00edparas (primeiro parto).<\/p>\n<p>Devido a sua complexidade, os sofrimentos ps\u00edquicos do puerp\u00e9rio s\u00e3o de dif\u00edcil percep\u00e7\u00e3o. Por isso, o cuidado, aten\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o com a mulher nesse per\u00edodo \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia, pois quando recebe tal suporte rapidamente os sintomas diminuem at\u00e9 o seu desaparecimento por completo.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que ao sinal de qualquer sintoma \u00e9 primordial a imediata busca por uma ajuda profissional que dar\u00e1 o diagn\u00f3stico correto e tratamento adequado.<\/p>\n<p>Por:\u00a0Pollyana Folador<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS:<\/p>\n<pre>1. BORDIGNON JS, LASTA LD, FERREIRA EM, WEILLER TH. Depress\u00e3o puerperal: defini\u00e7\u00e3o, sintomas e import\u00e2ncia do enfermeiro no diagn\u00f3stico precoce. Rev Contexto e Sa\u00fade. 2011; 10(20):875-880\r\n2. MENEZES FL, PELLENZ NLK, LIMA SS, SARTURI F. Depress\u00e3o puerperal no \u00e2mbito da Sa\u00fade P\u00fablica. Rev Sa\u00fade. 2012; 38(1):21-30\r\n3. RUSCHI GEC, FILHO AC, LIMA VJ, YAZAKI-SUN S, ZANDONADE E, MATTAR R. Altera\u00e7\u00e3o tireoidiana: um fator de risco associado \u00e0 depress\u00e3o p\u00f3s parto? Rev Brasileira de Sa\u00fade Materno Infantil. 2009; 9(2):207-2013\r\n4. MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE. DATASUS. Informa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. D\u00e9cima Revis\u00e3o da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de (CID-10) dispon\u00edvel na internet: http:\/\/www.datasus.gov.br\/cid10\/V2008\/cid10.htm acessado 18 de outubro de 2015.\r\n5. CORDEIRO EL, SILVA LRP, DARCYONE MS, MENDON\u00c7A SS, RENZO CA. Estrat\u00e9gias dos enfermeiros da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica frente \u00e0 depress\u00e3o p\u00f3s-parto: uma revis\u00e3o integrativa. Rev Trabalhos Acad\u00eamicos. 2013\r\n6. VELOSO MC, SOUSA CC, VELOSO LC. Assist\u00eancia de enfermagem a parturiente com depress\u00e3o p\u00f3s-parto: Revis\u00e3o da literatura. 7\u00ba Congresso Brasileiro de Enfermagem Obst\u00e9trica e Neonatal. 2011; 7:184-194<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A maternidade \u00e9 muito aguardada e idealizada pela mulher. Este \u00e9 um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, sociais, culturais e emocionais, o que, por si s\u00f3, j\u00e1 indica sua amplitude e complexidade. \u00c9 no p\u00f3s-parto ou puerp\u00e9rio, no entanto, que tais transforma\u00e7\u00f5es se acentuam e que, por vezes, culminam para o desenvolvimento de alguns [&hellip;]\n","protected":false},"author":3,"featured_media":976,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/975"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=975"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/975\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":978,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/975\/revisions\/978"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/976"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/cavi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}