{"id":1875,"date":"2018-06-28T22:52:46","date_gmt":"2018-06-28T22:52:46","guid":{"rendered":"http:\/\/ceak.org.br\/ceak\/?p=1875"},"modified":"2025-10-28T18:54:49","modified_gmt":"2025-10-28T21:54:49","slug":"uma-vida-de-doacao-e-talento-para-ajudar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/uma-vida-de-doacao-e-talento-para-ajudar\/","title":{"rendered":"Uma vida de doa\u00e7\u00e3o e talento para ajudar"},"content":{"rendered":"<p><strong>(Por Ingrid Vogl)<\/strong><\/p>\n<p>Com passos curtos e r\u00e1pidos, Liddy Jurgensen ligeiramente entra na sala e se senta para nossa conversa. \u00c0 medida em que come\u00e7a a contar sua hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel perceber como sua vida, no alto de seus 90 anos, se funde ao Instituto Popular Humberto de Campos (IPHC), unidade do Centro Esp\u00edrita Allan Kardec (CEAK), que completa 80 anos em 2018.<\/p>\n<p>Com a mesma agilidade com que anda por todo o Instituto diariamente e que lhe d\u00e1 a fama de ter rodinhas nos p\u00e9s, dona Liddy, como \u00e9 conhecida, lembra de como come\u00e7ou a frequentar a institui\u00e7\u00e3o, onde se tornou volunt\u00e1ria h\u00e1 71 anos e atua at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Dona Liddy est\u00e1 no IPHC desde 1947 e ingressou na entidade para fazer oficinas de corte e costura e datilografia. Logo estava ajudando na biblioteca, onde at\u00e9 hoje cuida pessoalmente de uma parte valiosa do acervo antigo, composto por exemplares de primeiras edi\u00e7\u00f5es de cl\u00e1ssicos infanto-juvenis.<\/p>\n<p>Em 1952, a convite de Gustavo Marcondes, fundador da institui\u00e7\u00e3o, Dona Liddy passou a ser funcion\u00e1ria da secretaria, onde trabalhou at\u00e9 1983, quando se aposentou e continuou como volunt\u00e1ria, atuando at\u00e9 hoje. O gosto e a vontade de ajudar s\u00e3o de fam\u00edlia, j\u00e1 que os pais e quatro irm\u00e3s Jurgensen tamb\u00e9m realizam trabalho volunt\u00e1rio na Institui\u00e7\u00e3o. A irm\u00e3 mais velha, Daisy \u2013 falecida h\u00e1 tr\u00eas anos-\u00a0 chegou a ser presidente da institui\u00e7\u00e3o. Vera trabalha voluntariamente na cantina e Vilma \u00e9 respons\u00e1vel pela sele\u00e7\u00e3o de roupas para o bazar.<\/p>\n<p>Incans\u00e1vel, Dona Liddy est\u00e1 de segunda a segunda no IPHC. At\u00e9 pouco tempo, ela chegava \u00e0s 7h e costumava ficar at\u00e9 21h ou 22h. Hoje, sua rotina come\u00e7a por volta das 10h30 e se estende at\u00e9 17h. Nesse per\u00edodo, a volunt\u00e1ria mais antiga do CEAK costuma fazer um pouco de tudo, principalmente trabalhos relacionados ao setor administrativo e de contabilidade, onde conhece como ningu\u00e9m todos os processos e tr\u00e2mites da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA gente v\u00ea na Dona Liddy a continuidade do trabalho que sustenta o Instituto. Ela trabalhou com todos os presidentes que j\u00e1 passaram por aqui e \u00e9 refer\u00eancia dos novos funcion\u00e1rios para que conhe\u00e7am os processos da entidade. Dona Liddy tamb\u00e9m \u00e9 um porto de sabedoria e esta \u00e9 uma caracter\u00edstica marcante em sua personalidade: sempre que algu\u00e9m precisa de algum conselho ou orienta\u00e7\u00e3o, ela nos tranquiliza e assim, conseguimos tomar decis\u00f5es mais assertivas\u201d, disse Elisabeth Casotti, gerente de educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social do IPHC.<\/p>\n<p><strong>Alegria garantida<\/strong><\/p>\n<p>Quer ver um sorriso estampado no rosto de Dona Liddy? \u00c9 s\u00f3 perguntar sobre sua rela\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as do Instituto. \u201cElas s\u00e3o uma gracinha\u201d, diz a volunt\u00e1ria, que quando passa pelos corredores do Instituto sempre recebe abra\u00e7os carinhosos dos pequenos.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o da volunt\u00e1ria \u00e9 mesmo o trabalho com as crian\u00e7as, e nisso, Dona Liddy tem um papel importante. Em 1970 ela foi a respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do Lar Escola que j\u00e1 funcionava na institui\u00e7\u00e3o desde 1938, mas que passou a atender em per\u00edodo integral as crian\u00e7as da educa\u00e7\u00e3o infantil. Assim, pode colaborar de maneira decisiva com a erradica\u00e7\u00e3o do trabalho infantil.<\/p>\n<p>\u201cEu ia at\u00e9 o Jardim Proen\u00e7a, onde na \u00e9poca moravam as lavadeiras cujos filhos ajudavam no trabalho. Meu trabalho era convencer as m\u00e3es a deixar as crian\u00e7as o dia todo participando das atividades do Instituto\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Para Dona Liddy sua atua\u00e7\u00e3o como volunt\u00e1ria no Instituto \u00e9 t\u00e3o natural que ela nem acha que fez tanto nessas sete d\u00e9cadas dedicando tempo e talento ao trabalho social da entidade. \u201cGosto de fazer pelas crian\u00e7as, e sempre tive vontade de ajudar no que fosse preciso, porque era recompensador e sempre valeu a pena. Em todo esse tempo, aprendi muito com a experi\u00eancia de vida e de voluntariado e sinto saudades de v\u00e1rios momentos desse percurso. Mas sinto que poderia ter feito muito mais\u201d, disse em sua humildade, a incans\u00e1vel Dona Liddy.<\/p>\n<p><strong>Reconhecimento<\/strong><\/p>\n<p>Para Julieta Cova Checchia, 77 anos, que desde os 9 anos de idade frequenta o CEAK e desenvolve trabalho volunt\u00e1rio, tendo passado pela presid\u00eancia entre 1988 e 1992, o jeito simples de Dona Liddy falar de sua atua\u00e7\u00e3o na entidade demonstra o desinteresse que ela tem para si e o interesse para o pr\u00f3ximo, sempre com um esp\u00edrito colaborativo.<\/p>\n<p>\u201cComo Gustavo Marcondes costumava definir, Dona Liddy \u00e9 como a\u00a0<em>Viola odorata<\/em>, uma esp\u00e9cie muito perfumada, cujas flores roxas geralmente ficam escondidas pela folhagem. Ela faz a diferen\u00e7a no ambiente com discri\u00e7\u00e3o\u201d, contou.<\/p>\n<p>Julieta lembra que quando come\u00e7ou ainda crian\u00e7a no IPHC, Dona Liddy j\u00e1 era jovem, e as duas juntas t\u00eam lembran\u00e7as de participa\u00e7\u00e3o em campanhas que tinham como prop\u00f3sito arrecadar dinheiro para a institui\u00e7\u00e3o. Toda essa dedica\u00e7\u00e3o acabou sendo multiplicada, j\u00e1 que logo que casou, o marido tamb\u00e9m passou a atuar como volunt\u00e1rio e foi tesoureiro do CEAK durante 30 anos.<\/p>\n<p>\u201cMuitos volunt\u00e1rios trabalham com vontade e paix\u00e3o, e isso faz com que eles fiquem muito tempo na institui\u00e7\u00e3o. Minha vida toda fui volunt\u00e1ria, entrei para aprender algo e acabei retribuindo com disposi\u00e7\u00e3o e tempo, e acho que n\u00e3o podemos parar. Aprendi a ser muito grata, porque tive muitos mestres aqui que foram exemplo de virtudes e dedica\u00e7\u00e3o. O voluntariado \u00e9 uma grande escola\u201d, definiu.<\/p>\n<p>Atualmente, o IPHC possui 80 volunt\u00e1rios e 52 funcion\u00e1rios. \u201cAlguns dos volunt\u00e1rios que est\u00e3o conosco j\u00e1 foram atendidos pela institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma gratid\u00e3o enorme ter esse trabalho do bem multiplicado, e tamb\u00e9m ver que nosso empenho fez sentido para a vida de muitas pessoas que j\u00e1 passaram por aqui\u201d, disse Elisabeth.<\/p>\n<p>Para Marcela Doni, l\u00edder do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.feac.org.br\/cidadaniaativa\/\">Programa Cidadania Ativa<\/a>\u00a0da FEAC, os momentos de conviv\u00eancia, troca, afeto e amizade, que s\u00e3o vivenciados por meio do trabalho volunt\u00e1rio, proporcionam satisfa\u00e7\u00e3o e sensa\u00e7\u00e3o de felicidade. N\u00e3o \u00e9 apenas fazer o bem, \u00e9 um processo de apoio e resultado coletivo.<\/p>\n<p>\u201cAtrav\u00e9s do trabalho volunt\u00e1rio, descobrimos mais sobre a natureza humana e, consequentemente, a respeito de n\u00f3s mesmos, j\u00e1 que \u00e9 um instrumento poderoso de constru\u00e7\u00e3o de nossa felicidade pessoal e social. \u00c9 via de m\u00e3o dupla, onde quem ajuda \u00e9 ajudado. O voluntariado possibilita uma rica rede de contatos, torna as pessoas mais flex\u00edveis no trato com outras e as faz desenvolver a habilidade de ouvir e de buscar resultados compartilhados\u201d, avaliou Marcela.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o FEAC promove o Programa Cidadania Ativa que re\u00fane uma carteira de projetos diversos que podem inspirar pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas a se tornarem agentes de mudan\u00e7a incentivando a cultura de participa\u00e7\u00e3o e de corresponsabilidade pelo bem-estar social e estimulando a atua\u00e7\u00e3o coletiva e colaborativa. Mais informa\u00e7\u00f5es podem ser obtidas por meio do telefone (19) 3794 3544 ou\u00a0<a href=\"mailto:cidadaniaativa@feac.org.br\">cidadaniaativa@feac.org.br<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>CEAK<\/strong><\/p>\n<p>O CEAK \u2013 que tem como principais fontes de receitas os bazares, a panificadora Bambini e uma editora de livros esp\u00edritas \u2013 \u00e9 mantenedor de cinco departamentos: Instituto Popular Humberto de Campos; Educand\u00e1rio Eur\u00edpedes; Creche M\u00e3e Lu\u00edsa; Creche Gustavo Marcondes; Centro de Apoio \u00e0 Vida e N\u00facleo Alvorada de Cristo.<\/p>\n<p>O IPHC recebe apoio institucional no \u00e2mbito do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.feac.org.br\/primeirainfanciaemfoco\/\">Programa Primeira Inf\u00e2ncia em Foco (PIF)<\/a>\u00a0da Funda\u00e7\u00e3o FEAC e atende 90 crian\u00e7as entre\u00a03 e 5 anos em per\u00edodo integral na escola de educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>Outras 140 crian\u00e7as de 6 a 10 anos s\u00e3o atendidas no Servi\u00e7o de Conviv\u00eancia e Fortalecimento de V\u00ednculos, como via de prevenir as situa\u00e7\u00f5es de risco social, ampliar trocas culturais e de viv\u00eancias e desenvolver o sentimento de pertencimento e de identidade. Al\u00e9m disso, a comunidade tamb\u00e9m tem acesso ao ambulat\u00f3rio m\u00e9dico e odontol\u00f3gico e a farm\u00e1cia (ou dispens\u00e1rio de medicamentos) do pr\u00f3prio IPHC.<\/p>\n<p>O pr\u00e9dio do IPHC ainda abriga a Escola Estadual Instituto Popular Humberto de Campos que atende 150 crian\u00e7as dos anos iniciais do ensino fundamental (1\u00ba ao 5\u00ba ano) em quatro salas de aula nos per\u00edodos matutino e vespertino.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0<a href=\"http:\/\/ceak.org.br\/iphc\/\">http:\/\/ceak.org.br\/iphc\/<\/a><\/p>\n<p><strong>Mat\u00e9ria veicula no site da<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.feac.org.br\/uma-vida-de-doacao-e-talento-para-ajudar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o FEAC<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Por Ingrid Vogl) Com passos curtos e r\u00e1pidos, Liddy Jurgensen ligeiramente entra na sala e se senta para nossa conversa. \u00c0 medida em que come\u00e7a a contar sua hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel perceber como sua vida, no alto de seus 90 anos, se funde ao Instituto Popular Humberto de Campos (IPHC), unidade do Centro Esp\u00edrita Allan [&hellip;]\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1876,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,1],"tags":[22,21,20,23],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1875"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20775,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875\/revisions\/20775"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}