{"id":1954,"date":"2018-07-12T02:08:14","date_gmt":"2018-07-12T02:08:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ceak.org.br\/ceak\/?p=1954"},"modified":"2025-10-28T18:54:49","modified_gmt":"2025-10-28T21:54:49","slug":"o-instituto-que-e-uma-verdadeira-galeria-de-artes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceak.org.br\/ceak\/o-instituto-que-e-uma-verdadeira-galeria-de-artes\/","title":{"rendered":"O Instituto que \u00e9 uma verdadeira Galeria de Artes"},"content":{"rendered":"<p><em>Com artes pl\u00e1sticas, crian\u00e7as aprendem a ter liberdade de express\u00e3o e senso de est\u00e9tica<\/em><\/p>\n<p><strong>(Por Ingrid Vogl)<\/strong><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Quem visita ou frequenta o Instituto Popular Humberto de Campos (IPHC), unidade do Centro Esp\u00edrita Allan Kardec, pode conferir em seus diversos ambientes, como corredores e salas, paredes repletas de obras de arte. S\u00e3o desenhos criados por meio de diversas t\u00e9cnicas, como pintura, grafismo e digital. Tudo muito colorido e com um senso est\u00e9tico que chama a aten\u00e7\u00e3o pelo tra\u00e7o livre, beleza e por expressar emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As obras s\u00e3o todas feitas pelas crian\u00e7as e adolescentes atendidos pelo Instituto e participantes da oficina Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0s artes pl\u00e1sticas, que acontece \u00e0s ter\u00e7as-feiras, das 13h \u00e0s 15h. O que mais impressiona ao entrar na sala onde acontece a oficina \u00e9 ver as crian\u00e7as compenetradas desenhando tra\u00e7os livres, cheios de intensidade, emo\u00e7\u00e3o, cor e luz.<\/p>\n<p>Ali, a regra \u00e9 clara: o tra\u00e7o \u00e9 livre, sem l\u00e1pis, borracha, sem erros, sem censura. A metodologia usada valoriza e incentiva o esfor\u00e7o, a dedica\u00e7\u00e3o e o resultado do trabalho das crian\u00e7as. Isso as inspira e motiva a aprender cada vez mais. E o resultado, s\u00e3o desenhos impressionantes.<\/p>\n<p>Todo esse trabalho \u00e9 comandado por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fulviagoncalves.art.br\/biografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u00falvia Gon\u00e7alves<\/a>, renomada artista pl\u00e1stica que h\u00e1 29 anos desenvolve trabalho volunt\u00e1rio em institui\u00e7\u00f5es sociais de Campinas, 25 deles em unidades ligadas ao Centro Esp\u00edrita Allan Kardec. Did\u00e1tica e sempre acompanhando de perto e com entusiasmo a produ\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, F\u00falvia orienta os alunos que, interessados e compenetrados, seguem \u00e0 risca as dicas da mentora art\u00edstica.<\/p>\n<p>Kailane Vitoria Alves, 10 anos, \u00e9 uma de suas pupilas. Focada em seu trabalho, pinta com precis\u00e3o o desenho que foi dado como tarefa naquele dia: um autorretrato da m\u00e3e. \u201cA gente come\u00e7ou a oficina com a F\u00falvia h\u00e1 dois meses, e eu adoro. Antes, n\u00e3o desenhava bem, meu tra\u00e7o era feio. Mas agora, eu gosto do que fa\u00e7o\u201d, afirmou a menina. Para Kailane, seguir as dicas de F\u00falvia, de como fazer os tra\u00e7os, o jeito de pintar sempre com muito colorido e expressando suas emo\u00e7\u00f5es, foram essenciais para sua evolu\u00e7\u00e3o art\u00edstica. \u201cMe sinto alegre quando estou desenhando\u201d, disse.<\/p>\n<p>Algumas carteiras mais \u00e0 frente, Lorena Moraes Lacerda, 10 anos, expressava satisfa\u00e7\u00e3o enquanto finalizava o retrato de sua m\u00e3e, expressiva e colorida. \u201cEu desenhava um pouco com meu pai, mas nunca tive muito interesse. Quando comecei a fazer aula com a F\u00falvia, descobri como era legal, porque ela j\u00e1 me ensinou muitas coisas sobre o desenho, sobre como devo colorir bastante e deix\u00e1-lo expressivo e como usar t\u00e9cnicas como composi\u00e7\u00e3o. Desenhando, me sinto bem e sinto que estou fazendo e aprendendo coisas novas. Quero aproveitar todos os ensinamentos da F\u00falvia, que desenha e ensina muito bem, e aprender um pouco de todas as t\u00e9cnicas, para melhorar meu tra\u00e7o e saber mais sobre a arte\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p>Toda essa desenvoltura com os desenhos conquistada em t\u00e3o pouco tempo pelas crian\u00e7as \u00e9 resultado de uma metodologia criada por F\u00falvia ao longo de quase tr\u00eas d\u00e9cadas de suas experi\u00eancias profissionais, acad\u00eamicas e ensinando crian\u00e7as sobre artes visuais.<\/p>\n<p>Esse conhecimento foi reunido em um livro, que traz todas as etapas do que ser\u00e1 ensinado \u00e0s crian\u00e7as ao longo de um ano de oficina, que \u00e9 o tempo que cada turma passa com F\u00falvia.\u00a0 \u201cLogo que comecei a compartilhar meus conhecimentos com as crian\u00e7as, comecei a fazer um estudo e estabeleci um repert\u00f3rio prop\u00edcio para essa faixa de idade, entre 9 e 10 anos, quando elas s\u00e3o muito criativas. Ent\u00e3o preparei um caderno com um programa de conte\u00fado para o ano todo, de onde tenho uma base para organizar cada dia da oficina. Esse material poderia ser um mestrado, ou at\u00e9 mesmo uma publica\u00e7\u00e3o para ser distribu\u00edda a professores de educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica\u201d, opinou.<\/p>\n<p>Nesse rico material, a oficina perpassa por conte\u00fados que v\u00e3o desde desenhos simples, que come\u00e7am a ser feitos com caneta esferogr\u00e1fica, passando por giz, pintura, colagem. Os registros s\u00e3o os mais variados e come\u00e7am pelo autorretrato, mem\u00f3rias familiares, da cidade e chegam at\u00e9 a releituras de artistas de Campinas.<\/p>\n<p>Nesse ponto, F\u00falvia faz quest\u00e3o de ensinar um pouco sobre a hist\u00f3ria da arte na cidade, e para isso, costuma levar renomados artistas pl\u00e1sticos locais para que as crian\u00e7as os conhe\u00e7am. O mais recente foi Francisco Biojone, um dos membros do grupo Vanguarda, formado por 11 artistas pl\u00e1sticos de Campinas, que no final dos anos 50 lan\u00e7ou um manifesto para transgredir os padr\u00f5es pr\u00e9-estabelecidos da \u00e9poca e revolucionou as artes visuais no munic\u00edpio renovando e trazendo modernidade \u00e0s artes. Biojone era o \u00faltimo membro do grupo e morreu em mar\u00e7o deste ano. Bernardo Caro, Vera Ferro e Lilia Parada, sobrinha de Thomas Perina e que empresta o nome ao Instituto criado em sua homenagem, tamb\u00e9m j\u00e1 bateram bons papos com as crian\u00e7as que frequentam a oficina.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 que elas conhe\u00e7am um pouco mais da hist\u00f3ria das artes em Campinas pelos pr\u00f3prios artistas que fazem parte dessa trajet\u00f3ria. Essa a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m resulta em uma releitura que eles fazem a partir de uma obra escolhida do artista apresentado\u201d, explicou F\u00falvia. Depois da releitura feita, as obras s\u00e3o expostas em galerias criadas nos corredores de outros ambientes do IPHC, para que todos possam contempl\u00e1-las.<\/p>\n<p>\u201cExpondo, eles podem ter a sensa\u00e7\u00e3o e responsabilidade de que o trabalho tem que ser bem feito, com senso est\u00e9tico\u201d, justificou a mestre. E os pequenos aspirantes a artistas levam isso t\u00e3o a s\u00e9rio que j\u00e1 tiveram seus trabalhos expostos no Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Campinas (MACC). Isso aconteceu em 2017, na ocasi\u00e3o em que houve uma comemora\u00e7\u00e3o das obras de Thomaz Perina.<\/p>\n<p><strong>Impacto art\u00edstico e social<\/strong><\/p>\n<p>Para F\u00falvia, o mais importante \u00e9 que as crian\u00e7as aprendam a expressar ideias e emo\u00e7\u00f5es por meio de seus tra\u00e7os. \u201cA evolu\u00e7\u00e3o deles \u00e9 muito grande e em pouco tempo, elas t\u00eam desenvoltura para pintar, desenhar e isso as ajuda a se desenvolver como ser humano e se expressar com liberdade. Cada um tem seu estilo, seu tra\u00e7o \u00fanico e puro, e isso \u00e9 riqu\u00edssimo e deve ser incentivado em cada crian\u00e7a. A satisfa\u00e7\u00e3o em aprender e conseguir desenhar bela e livremente \u00e9 gratificante, meu melhor retorno\u201d, disse com um largo sorriso a simp\u00e1tica e empolgada artista pl\u00e1stica, que sempre, estimula e valoriza a evolu\u00e7\u00e3o de seus pupilos.<\/p>\n<p>E a artista pl\u00e1stica tem raz\u00e3o. Para Alessandra Fiorini, assessora t\u00e9cnica do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o FEAC e t\u00e9cnica de refer\u00eancia para o IPHC, um dos maiores educadores do nosso tempo, Sir Ken Robinson, tem chamado a aten\u00e7\u00e3o do mundo sobre a vis\u00e3o que temos da intelig\u00eancia.\u00a0 \u201cBasicamente, ele diz que n\u00f3s pensamos o mundo de todas as formas que o vivenciamos: visualmente, auditivamente, sinestesicamente. Ent\u00e3o, proporcionar \u00e0s crian\u00e7as experi\u00eancias t\u00e3o amplas por meio das artes \u00e9 algo que alimenta a capacidade humana \u2013 o que \u00e9 maior e mais rico do que a intelig\u00eancia\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Assim, a artista pl\u00e1stica que diz ter come\u00e7ado a carreira aos quatro anos de idade desenhando na cal\u00e7ada de casa com carv\u00e3o que era usado pela m\u00e3e para cozinhar e tinha como expectadores de suas obras padres, freiras e fieis que passavam a caminho da igreja que ficava pr\u00f3xima, vai compartilhando suas viv\u00eancias e incentivando as crian\u00e7as a terem gosto pelo mundo das artes, assim como seus pais sempre a estimularam a seguir a carreira. \u201cQue a arte as inspirem para a vida\u201d, \u00e9 o que deseja.<\/p>\n<p><strong>Primeira Inf\u00e2ncia em Foco<\/strong><\/p>\n<p>O IPHC \u00e9 uma das entidades que recebe Apoio Institucional da Funda\u00e7\u00e3o FEAC atrav\u00e9s do Programa Primeira Inf\u00e2ncia em Foco, iniciativa que investe em esfor\u00e7os para promover o desenvolvimento da primeira inf\u00e2ncia com objetivo de assegurar que todas as crian\u00e7as tenham desenvolvimento adequado \u00e0 sua faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de oferecer Educa\u00e7\u00e3o Infantil, primeira etapa da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, com recursos pr\u00f3prios promove atividades como a oficina Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0s artes pl\u00e1sticas.<\/p>\n<p><strong>Saiba mais sobre o Primeira Inf\u00e2ncia em Foco em: www.feac.org.br\/primeirainfanciaemfoco\/<\/strong><\/p>\n<p><strong>Saiba mais sobre o IPHC:\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/ceak.org.br\/iphc\/\"><strong>ceak.org.br\/iphc\/<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong><em>Fonte:<a href=\"http:\/\/www.feac.org.br\/o-instituto-que-e-uma-verdadeira-galeria-de-artes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Funda\u00e7\u00e3o FEAC<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com artes pl\u00e1sticas, crian\u00e7as aprendem a ter liberdade de express\u00e3o e senso de est\u00e9tica (Por Ingrid Vogl)\u00a0 Quem visita ou frequenta o Instituto Popular Humberto de Campos (IPHC), unidade do Centro Esp\u00edrita Allan Kardec, pode conferir em seus diversos ambientes, como corredores e salas, paredes repletas de obras de arte. 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